Os benefícios financeiros da formação não podem ser medidos em função das reacções dos formandos, nem em função da quantidade de aprendizagem que foi conseguida, nem mesmo em função do grau de mudança comportamental. Os benefícios reais têm a ver com as melhorias no desempenho - que é tradicionalmente o resultado da formação mais difícil de prever e de medir.
Sendo assim, o que podemos fazer quando somos confrontados com esta dificuldade? Devemos concentrar os nossos esforços de avaliação em métricas mais fáceis? Claro que não. Devemos fazer o melhor que conseguirmos, uma vez que todas as outras métricas não conseguem reflectir a realidade financeira de que a formação tem que ter retorno – em dinheiro a sério.
Felizmente (ou não), os especialistas em formação não são os únicos a depararem-se com a dificuldade em calcular os benefícios daquilo que fazem. Será que é mais fácil prever os benefícios que se irão obter com o lançamento de um novo produto, com o lançamento de uma campanha de publicidade, com o lançamento de um programa de investigação, ou com a alteração da política de pagamentos e compensações?
Olhemos com alguma atenção para as principais categorias de benefícios. Convém sublinhar, no entanto, que as categorias que apresentamos a seguir não são necessariamente exclusivas. Na realidade, poderão fornecer formas alternativas de olhar para o mesmo benefício. Consequentemente, teremos que ter cuidado para não incluirmos o mesmo benefício básico em mais de uma categoria.
Reduções de trabalho
As reduções de trabalho acontecem quando a formação faz com que seja necessário menos esforço para atingir os mesmos níveis em termos de resultados. Temos que assumir que tais reduções são conseguidas através de uma diminuição da quantidade de trabalho aplicada a uma determinada tarefa e não através da utilização do tempo entretanto liberto para se conseguirem resultados acrescidos com a mesma tarefa.
As reduções de trabalho só serão conseguidas se o trabalho aplicado numa tarefa puder ser realmente reduzido, independentemente de isso resultar em redundâncias, transferência de pessoas para novas funções, ou relocações de trabalho. Se as poupanças de tempo resultarem simplesmente em mais tempo de descontracção para as pessoas, não poderemos considerá-las como poupança.
Como exemplos de reduções de trabalho podemos referir:
• Uma reduzida duplicação de esforço; • Menos tempo gasto com a correcção de erros; • Um acesso mais rápido à informação.
Aumentos de produtividade
Os aumentos de produtividade ocorrem quando a formação permite alcançar mais resultados com o mesmo nível de esforço. Evidentemente, isto implica que a organização quer ou precisa de aumentar os resultados na área em questão. Se não for esse o caso, talvez seja melhor expressar os benefícios como redução de custos.
Como exemplos de aumentos de produtividade podemos referir:
• A melhoria de metodologias para reduzir esforço necessário; • O aumento dos níveis de competência para a realização do trabalho com maior rapidez; • O aumento dos níveis de motivação para conseguir o aumento do esforço.
Outras reduções de custos
As reduções de custos podem ser conseguidas de várias formas e não apenas através de poupanças em termos de trabalho. Como exemplos de reduções de custos podemos referir:
• Menos interrupções das máquinas, resultando em custos de manutenção mis baixos; • Menos gastos com pessoal, graças a níveis de recrutamento mais baixos e a menos custos de formação; • Redução de pagamentos em dívida.
Outras formas de geração de receita
Em algumas funções poderá ser possível a geração de novas receitas como resultado directo da formação. Estes benefícios podem ser registados satisfatoriamente como aumentos de produtividade, mas a sua inserção nesta categoria poderá responder aquelas situações em que é necessária uma análise mais específica e detalhada.
Convém assegurar que retiramos destas receitas todos os custos variáveis em que se incorre para as alcançar. Aquilo que procuramos é a contribuição líquida da formação para a obtenção dessa receita adicional. Como exemplos destas receitas podemos referir:
• Uma maior taxa de sucesso na conquista de vantagem competitiva, conduzindo a um aumento das vendas; • Vendas conseguidas por pessoas que têm outras funções que não as vendas; • Novas ideias relativamente aos produtos, conduzindo a novos lançamentos de produto bem sucedidos.
Baseado em informação publicada no site http://www.fastrak-consulting.co.uk/tactix/features/tngroi/tngroi05.htm.
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